Recomendo

NOTA DE ESCLARECIMENTO À SOCIEDADE
A Constituição Federal de 1988 criou o Sistema de Seguridade Social destinado a assegurar o direito de todos os trabalhadores à saúde, à assistência e à previdência. Como são direitos, não se pode falar em déficit, eles não podem ser vistos como uma atividade para dar lucros aos governos. A principal justificativa do Governo para a Reforma Providenciaria é a de que o sistema é deficitário e poderá quebrar nos próximos anos. Esse argumento não é correio, pois as contas desse sistema são feitas levando em consideração: as contribuições dos trabalhadores e todas as despesas da Previdência Social. Para custear as despesas de Seguridade Social a Constituição estabeleceu diversas contribuições sociais, a saber:
Contribuição dos Empregadores, Contribuição dos Empregados, COFINS, CPMF, CSLL, CIDE, Parcela das Loterias, etc. Esse conjunto de receitas e despesas forma o Orçamento de Seguridade Social e demonstra um superavit de mais de 50 bilhões de reais anuais. Valor esse, que está sendo direcionado para outras finalidades, como a de produzir superavit primário/ pagamentos de juros e amortizações da dívida pública.
"A necessidade da Reforma" divulgada, é uma forma de abrir caminho para a privatízação da previdência e favorecer os banqueiros, os quais venderão mais previdência complementar. Mas, existem setores no Governo, no Congresso e na sociedade que são sensíveis às nossas reivindicações. Juntamente com esses, devemos alertar a sociedade para defender seus direitos e evitar os prejuízos sociais graves, os quais essa Reforma trará à Nação Brasileira. O Estado deveria estender, a todos os trabalhadores da iniciativa privada, a aposentadoria integral dos servidores públicos. Temos que caminhar, agindo como uma nação que busca o desenvolvimento e não o retrocesso, com perdas de direitos sociais. Nossa luta não pretende defender "privilégios corporativos". É preciso entender que, mais do que nossos direitos, o que está em jogo é um modelo de Estado e, por extensão, um modelo de sociedade. Queremos um Estado forte, com servidores valorizados e com condições de prestar serviços eficientes e de qualidade. Só assim construiremos um país economicamente desenvolvido e socialmente
 

 

PORQUE DIZER NÃO A REFORMA:
1. Ela só visa o atendimento dos interesses do capital internacional, e não o da população brasileira;
2. O servidor público contribui com a íntegra de seu salário para a Previdência Social e devido a isso, tem direito à aposentadoria integral;
3. O servidor público não pode ser mensurado contabilmente, portanto, não há porque se falar em déficit ou superavit, pois o seu trabalho é prestar serviços, em especial, a população mais carente que depende do serviço publico federal, estadual e municipal e não de gerar receitas para o Estado;
4. O Estado, patrão do servidor público, não contribui com a sua parte. Além disso, é importante salientar que a cota paga pelo patrão do trabalhador privado é repassada para os custos bens e serviços, sendo paga, na prática, pelo consumidor final, incluindo assim toda a sociedade, inclusive o servidor público;
5. O servidor público não é o culpado pelos desvios de finalidade feitos nos cofres da Previdência ao longo dos anos. Esse dinheiro deveria estar rendendo juros para as aposentadorias futuras, tal como se paga aos bancos;
6. O servidor público não é o culpado pelo alto grau de inadimplência e sonegação da contribuição previdenciária por parte dos maus empresários; nem pelos crimes de apropriação indébita dos patrões que não recolhem os descontos feitos para os cofres da Previdência; e muito menos pelas anistias e parcelamento generosos concedidos a alguns empresários;
7. É preciso sim fazer reformas, para acabar com mazelas e privilégios, e melhorara previdência do trabalhador privado, mas com cautela, para não se cometer injustiças como as que estão sendo propostas.

Affep Sindical - Sindicato dos Agentes Fiscais da Receita Estadual do Paraná
Fórum Paranaense em Defesa da Previdência Pública
Fenafisco - Federação Nacional do Fisco Nacional
 

O ALVO É A PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS


A proposta apresentada recentemente pelo governo Lula deixa claro seu verdadeiro objetivo.
É a mesma do FMI, conforme documento enviado a essa instituição financeira, pelo ministro da Fazenda.
Esta proposta de Reforma abre caminho para a privatização da Previdência,
É por isso que o ataque se concentra sobre os servidores públicos
O regime previdenciário dos servidores é um modelo a ser detonado pelas instituições financeiras, pois:
• regime é não contributivo;
• benefício é Integral, isto é, o servidor se aposenta pelo último salário recebido na ativa;
• é mantida a paridade, ou seja, o provento de aposentadoria do servidor inativo é o mesmo do servidor ativo. Quando é reajustado o vencimento do ativo, ou por qualquer fórmula é modificado, o provento da aposentadoria é na mesma proporção alterado;
• A aposentadoria do servidor vem do fato de ser servidor. É um direito que ele tem, pelo fato de trabalhar no serviço público e não por ter contribuído para ele.
Como o sistema financeiro não pode concorrer com esses direitos dos servidores, procura combatê-los;
• O primeiro passo é desmoralizá-los, chamando-os de privilégios.
• O segundo passo é colocar todo servidor no mesmo saco.
Mostram-se algumas aposentadorias escandalosamente altas, pagas a alguns funcionários, que chegaram a esses valores por situações excepcionais criadas em funções de brechas na lei. São resultados de ações que passaram pelos Tribunais, e que não serão alteradas por nenhuma mudança na Legislação previdenciária, em vigor. Com estes exemplos procura-se desmoralizar todos os funcionários públicos.

E depois desta desmoralização...
Fica fácil transformar um direito num plano de contas e fabricar formidáveis défícits.
Para privatizar a Previdência Social no Brasil, é necessário quebrar os regimes próprios de Previdência, pois...
os direitos previdenciários dos servidores servem de modelo a ser alcançado por toda a classe trabalhadora. Isso é muito perigoso, para os banqueiros.
Fica difícil vender o seu produto: a Previdência Privada. Esse é o real motivo de toda a propaganda da necessidade de Reforma da Previdência.
A Previdência não é mercadoria é um direito
 

PROPOSTA DE REFORMA DO GOVERNO LULA


A proposta do governo Lula para a Previdência é bem diferente do que é falado, todo dia, pela propaganda oficial.

• Não vem para aumentar direitos, ou melhorar o sistema,
• Não melhora o RGPS.
• Não iguala os direitos dos servidores com os demais trabalhadores.

Ao contrário, retira direitos e estabelece as pré-condições para a privatização.

Vejamos:
• O servidor público terá a sua aposentadoria proporcional, com cálculo efetuado pela média dos salários percebidos durante toda a sua carreira, para todos os servidores independentemente da faixa salarial .
• a pensão por morte fica limitada a 70%, ou menos, dependendo de cada estado.
• mantém o limite mínimo de idade, independentemente do tempo de contribuição, para que o servidor possa se aposentar: 60 anos se homem e 55 anos se mulher.
• acaba com as regras de transição que permitiam aos atuais servidores se aposentarem aos 53 anos se homem, e 48 anos se mulher, cumpridos os respectivos pedágios. Pela proposta, fica criada uma nova regra; o servidor perde 5% ao ano de sua remuneração, até o limite de 35%, caso se aposente antes de completar a idade mínima.
• a contribuição do servidor público passa a ser obrigatória e de 11%.
• O servidor inativo passa a contribuir para o sistema.
• Estabelece o sistema misto de previdência: público para até o teto de RS 2.400,00 e privado acima desse limite, ou seja, nenhum servidor que venha a se aposentar receberá acima deste valor, ou ainda dos sub-tetos s serem fixados pelos governos estaduais.
• Retira de pauta o PL-09. Entretanto, estabelece a Previdência complementar privada, regulamentada nas Leis Complementares 108 e 109.

Estas medidas
• subtraem direitos históricos dos servidores públicos, e criam todas as condições necessárias para a privatização da Previdência Social.
• Contribuem para o sucateamento do serviço público em geral: educação, saúde, segurança, justiça, entre outros.
 

 

 

Produção acadêmica

 

Crônica

 

Era muito frio, lá fora tudo branco, de geada, olhava pela janela da cozinha os raios de sol que começavam a derreter o gelo na grama. Ela colocava lenha no fogão... o cheiro do café de coador de pano, pão de casa, margarina, banha de porco, mel, leite quente encima do fogão, e na panela com água, o galo que ela já havia matado... antes de eu acordar . O cabelo crespo, rosto corado, chinelo de dedo, meia de bolinha, pijama já velho, marrom, tinha sido da irmã, do irmão e agora só meu... era essa a vantagem, mas também a desvantagem de ser a mais nova; “raspa tacho”, “rastoio”, mas, no fundo, a pequena “temporão” do pai e da mãe tinha muitos regalos, enquanto os outros seis, desde as seis, na roça, café gelado, pão amanhecido, mãos calejadas, cansaço no rosto, suor sofrido. Os mais novos riam, cantavam para espantar as horas, conversavam sobre cidade, sobre as sementes de milho, o vestido da comunhão da filha da vizinha, a missa que o padre veio rezar quando seu João morreu, o namorico da Chica como Zé... O pai só escutando, quieto, talvez, em silêncio, ele pedisse a Deus que mudassem de assunto, que as meninas se aquietassem, não pensassem no mundo que existia da porteira para fora, implorava que fossem como foi a mãe, há 20 anos, que casou tapada, mais virgem que estátua de Nossa Senhora, pura e digna.

A pequena em casa, levada que só ela... boneca de sabugo de milho, carinho de toquinho de madeira, sonhos e esperanças de crescer igual as irmãs, ficar moça feita, ir à roça, ajudar a mãe na cozinha, ir dormir mais tarde. O tempo foi passando, e a pequena crescendo, com o rosto corado, os cabelos encaracolados, e a vida se enrolando também... a única que saiu de casa, estudar, trabalhar, não casar, viver a vida longe do mato... cidade grande... bicho papão!

Os sonhos mudaram... virou moça grande... na cidade grande... mas com o coração miúdo... o cheiro do café se desfez na poluição, o gostinho do pão de casa virou gosto amargo na boca... gosto de lágrima de saudade... do tempo em que foi feliz e não sabia...

 

Maria Goreti Hobi

2º ano de Secretariado Executivo da Face.